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Coronavirus e Petróleo: Contexto, Gestão de Riscos e Sistemas de Gestão ISO

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Não é fácil ser gestor. Não é fácil controlar o painel de bordo em nosso mundo VUCA – volátil, incerto, complexo e ambíguo…

Após dia de fúria nos mercados financeiros do mundo todo, após a mudança de posicionamento competitivo da Arábia Saudita frente à Rússia quanto ao petróleo, que ocasionou queda de mais de 20% do preço do petróleo em um dia, perdas de mais de US$ 70 bilhões para a Petrobras e perdas na BOVESPA de mais de 12% nesta segunda feira (recuperadas parcialmente no dia seguinte…). Após a difusão do coronavirus, que causa efeitos de perdas de vidas humanas e perdas econômicas no mundo todo. Após a Itália decretar quarentena no país todo e limitar entradas e saídas (a China já o tinha feito de forma limitada, o Vietnam já o tinha feito no país todo, Israel fechou o aeroporto por 15 dias, e quarentena para os entrantes; universidades na Europa e EUA fecharam; a cidade de New Rochelle, próxima a New York, adotou quarentena), remetendo-me aos medos e atitudes da Idade Média contra a peste negra, ou o caos da gripe espanhola (1918-1920). Mal o ano começou, e a previsão de crescimento do PIB de mais de 2% já está distante…

Estas situações e muitas outras demonstram o quanto foi importante e sensato a ISO introduzir na nova estrutura de alto nível das normas de sistemas de gestão os requisitos de contexto e de gestão de riscos.

CONTEXTO

O pensamento sistêmico e estratégico deve fazer parte dos sistemas de gestão. A forma definida para inserir estes requisitos praticados há décadas nas organizações pioneiras dentro das normas de sistemas de gestão (ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001, ISO 37001, ISO 27001, ISO 50001 e outras) foi a de adicionar um novo item chamado CONTEXTO.

Tal item requisita a determinação das questões externas e internas (de forma similar à análise do ambiente interno e externo das clássicas metodologias de planejamento estratégico) pertinentes ao seu propósito e que afetem sua capacidade de alcançar os resultados pretendidos de seu sistema de gestão. Dentre as questões externas, podem ser identificados tópicos legais, tecnológicos, competitivos, de mercado, culturais, sociais, ambientais e econômicos, tanto internacionais, quanto nacionais, regionais ou locais (fonte: ISO 9001:2015).

Além disto, foram introduzidos novos requisitos de contexto para determinar as partes interessadas que sejam pertinentes para o sistema de gestão, suas necessidades, expectativas e requisitos, reforçando a Teoria dos Stakeholders dentro das normas de sistemas de gestão da ISO (ou também chamado de Stakeholder Capitalism).

ABORDAGEM DE RISCOS E OPORTUNIDADES

Diante do aumento da complexidade, globalização, do fluxo de materiais, produtos e serviços, da população e da tecnologia, o pensamento e a abordagem de riscos passou a ser utilizada em muitos assuntos além daqueles onde era usado mais costumeiramente (indústria militar/aeroespacial/química/nuclear), como instituições financeiras, produção de alimentos, disponibilidade de infraestrutura e serviços, planejamento estratégico, gestão de projetos, informática, saúde, etc.

Não à toa, normas de gestão de riscos empresariais (ERM) vêm sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas nas últimas décadas, das quais cito aqui:

  • COSO – para controles internos, elaborada pelo americano Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission, revisada em suas últimas versões com forte ênfase na gestão de riscos e visão estratégica;
  • ISO 31000 – norma da ISO para gestão de riscos, com a primeira versão publicada em 2009, atualizada em 2018, e dotada de outras normas de apoio, como a ISO 31010 – técnicas de avaliação de riscos, e o ISO Guia 73 – vocabulário de gestão de riscos.

Vale comentar que vem crescendo nos últimos anos o entendimento de que, além dos riscos, também é interessante a consideração das oportunidades na gestão de riscos.

A nova estrutura de alto nível da ISO incorporou estas tendências, incluindo a abordagem de riscos e oportunidades dentro das normas de sistemas de gestão da ISO de forma mais explicita adicionando-se requisitos para:

  • determinar os riscos e oportunidades que precisam ser abordados para atender aos objetivos do sistema de gestão e melhorias de desempenho;
  • planejar ações para abordar esses riscos e oportunidades, integrando nos processos e rotinas da organização;
  • avaliando a eficácia destas ações.

Além disso, requisitos sobre a consideração de riscos foram feitos em outros elementos da norma, como análise crítica pela direção.

A própria norma de auditoria da ISO, a ISO 19011, também foi revisada considerando os riscos em etapas de sua execução, mas também dando orientações de como auditar a abordagem de riscos e o item de contexto da organização.

RISCOS GLOBAIS

Em meus trabalhos de consultoria para implementação de sistemas de gestão da ISO, tenho usado algumas referências de informações estratégicas para subsidiar esta avaliação de questões internas e externas. Uma delas é o relatório de riscos globais 2020 do Fórum Econômico Mundial, do qual exponho neste artigo a matriz de riscos 2020, resultado da avaliação de mais de 750 especialistas e tomadores de decisões globais.

Interessante notar que esta matriz tem consideração de 5 tipos de riscos: geopolíticos, econômicos, sociais, ambientais e tecnológicos, o que está muito em linha com as questões externas estratégicas citadas acima, que devem ser consideradas quando da avaliação do contexto da organização para o sistema de gestão.

Vale a pena revisitar esta matriz (apresentada em janeiro/20) diante da pandemia do coronavirus, para reparar que o risco social de doenças infecciosas está entre os Top 10 de maior impacto, mas que não entrou para os top 5 de maior riscos por conta da baixa probabilidade.  E o histórico desde 2007 dos Top 5 de impactos e probabilidades mostra que riscos econômicos de choque de preços de petróleo apareceram nesta lista somente de 2007 a 2010 (em 2011, 2012 e 2016 a lista incluía o risco econômico de choques de preço de energia).

O nosso mundo VUCA torna cada vez mais difícil essa “ciência” da avaliação de riscos e do mapeamento do ambiente externo.

riscos globais 2020

legenda riscos globais 2020

Fonte: relatório de riscos globais 2020

CONCLUSÃO

Em nosso “Admirável Mundo Novo” (não o mesmo de Aldous Huxley, autor deste livro), as competências essenciais para a gestão estão se transformando: resiliência, visão sistêmica e estratégica, adaptação, resolução de problemas, análise e tomada de decisões, gestão de mudanças, habilidades sociais, e outras… Pois é fácil prever o passado, mas o futuro… Imagine então obter sucesso neste mundo de intensa turbulência.

A avaliação de contexto e de riscos/oportunidades é cada vez mais essencial para os gestores/liderança, inclusive os dos sistemas de gestão. Da mesma forma a capacidade de reagir aos problemas, crises e mudanças.

A adoção de sistemas de gestão que consigam antecipar e prevenir riscos/consequências, e aproveitar oportunidades, é essencial em nossos tempos.

Parafraseando aquele sábio pensamento – Dai-me:

  • Uma boa análise de contexto e avaliação de riscos/oportunidades que me possam fazer enxergar o ambiente, as mudanças e necessidades
  • Serenidade para aceitar o que não pode ser mudado
  • A Coragem para mudar o que pode ser mudado
  • A Sabedoria para distinguir uma coisa da outra
  • Um bom sistema de gestão e uma boa cultura para conseguir navegar nestes mares agitados

Michel Epelbaum – Diretor da Ellux Consultoria

Diretor da Ellux Consultoria. Tem mais de 25 anos de experiência nacional e internacional em gestão de sustentabilidade, qualidade, meio ambiente, saúde ocupacional e segurança, e compliance.  É membro dos Comitês Técnicos da ABNT de Gestão Ambiental, Antissuborno, Riscos, Governança, Responsabilidade Social e Energia. É Lead Assessor nas normas ISO 9001, ISO 14001, OHSAS 18001, ISO 45001, ISO 19600 e ISO 37001.

Consulte nossos serviços de ConsultoriaTreinamento e Auditoria em Sistemas de Gestão, inclusive nas Normas  ISO 31000, ISO 14001, ISO 9001, ISO 37001ISO 19600, ISO 45001 e ISO 26000.

Saiba mais em nossos posts relacionados:

Riscos Globais 2019 – Fórum Econômico Mundial

Riscos Globais 2018 – Fórum Econômico Mundial

Riscos Globais 2017 – Fórum Econômico Mundial

Global Risks 2016 – Fórum Econômico Mundial

Mudanças na ISO 31000 – Gestão de Riscos

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