Arquivo de qualidade - Ellux Consultoria https://elluxconsultoria.com.br/tag/qualidade/ A ellux é uma empresa de consultoria em gestão da sustentabilidade econômica, ambiental e social, gestão de riscos, de compliance e da qualidade. Thu, 25 Sep 2025 17:23:10 +0000 pt-BR hourly 1 Veja as mudanças da ISO 9001 para 2026! https://elluxconsultoria.com.br/revisao-iso-9001-sistema-de-gestao-qualidade-em-curso/ https://elluxconsultoria.com.br/revisao-iso-9001-sistema-de-gestao-qualidade-em-curso/#respond Fri, 29 Aug 2025 12:16:41 +0000 https://elluxconsultoria.com.br/?p=7285 Diversas normas de sistemas de gestão da ISO estão em revisão. Dentre elas, as de maior adoção mundial, como a ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001. Também outras como a ISO 27701, ISO 21101 e ISO 37001.

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Diversas normas de sistemas de gestão da ISO estão em revisão, como parte de seu processo de análise sistemática, baseado em pesquisa de usuários e diante de demandas específicas (p.ex. nova estrutura harmonizada da ISO, análise estratégica de mudanças climáticas definida pelo IAF e ISO). Dentre elas, as de maior adoção mundial, como a ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001. Também outras como a ISO 27701, ISO 21101 e ISO 37001 (já publicada em 28/02/2025) passam por esta atualização.

Neste artigo abordaremos as principais mudanças da ISO 9001, a primeira (1987) norma de sistemas de gestão da ISO, a mais adotada globalmente (mais de 1,2 milhões de certificados válidos, mais de 1,6 milhões de sites certificados), e que deu origem a mais de 50 normas deste tipo (referência: https://www.iso.org/management-system-standards-list.html) . Por isto a importância de acompanhar e entender as mudanças em discussão nesta atualização prevista para finalização em 2026.

1. Motivação das mudanças

As razões para a atualização são:

  • Processo de análise periódica das normas da ISO (início no máximo a cada 5 anos para normas internacionais), considerando a opinião dos usuários, temas emergentes, mudanças no contexto, e outras diretrizes norteadoras.
  • A definição da necessidade de revisão é baseada em análises feitas a partir de pesquisa com os usuários da norma (a da ISO 9001 é de 2020) e com os organismos de acreditação da certificação (a da ISO 9001 é de 2021),   
  • Alinhamento à nova estrutura harmonizada adotada pela ISO para as normas de Sistemas de Gestão, definida pelo Anexo SL da Diretiva ISO/IEC parte 1, que teve sua última atualização em 2023, e deve ser adotada por todas as normas deste tipo;
  • Inserção de análise de mudanças climáticas nos elementos estratégicos dos sistemas de gestão, como determinado pelo IAF e ISO (através do documento “IAF/ISO Joint Communication on the addition of Climate Change considerations to Management Systems Standards” de 22/02/2024) e que está sendo incorporado progressivamente nas revisões das normas de sistemas de gestão da ISO (p.ex. ISO 9001 e ISO 14001, ambas com emendas de 2024, separadas da norma vigente, agora serão incorporadas às revisões completas das 2 Normas).

2. Prazo da atualização

O processo de revisão foi iniciado no 2º semestre de 2023, com 3 anos de duração, passando por 4 estágios do documento (WD – Working Draft, CD – Comittee Draft, DIS – Draft International Standard e FDIS – Final Draft International Standard) antes da versão final (IS – International Standard), com publicação prevista para setembro/2026.

O documento teve a aprovação para passar ao estágio DIS no final de junho/2025.

3. Principais mudanças de requisitos do ISO/DIS 9001:2025 para a ISO 9001:2015

As principais mudanças propostas de conteúdo nos itens de requisitos (4 a 10) são apresentadas a seguir.

Nota: pode haver mudança de conteúdo entre os estágios DIS e FDIS, e mudanças principalmente editoriais entre o FDIS e a norma final IS.

  • Contexto da organização e mudanças climáticas
  • 4.1 Entendendo a organização e seu contexto
    • Absorção do requisito contido na emenda 1 da ISO 9001 de 2024 (textos sobre análise de mudanças climáticas citados no item 1 deste artigo).Inserção de questões externas políticas e ambientais na Nota 2, e de direcionamento estratégico e recursos na Nota 3;
  • 4.2 Entendendo as necessidades e expectativas de partes interessadas
    • Simplificação do parágrafo inicial e do tópico b);Inserção do tópico c) para determinar quais dos requisitos pertinentes de partes interessadas pertinentes serão abordados pelo SGQ, para alinhamento ao Anexo SL da Diretiva ISO/IEC parte 1 (Apêndice 2);
    • Absorção da Nota contida na emenda 1 da ISO 9001 de 2024 (sobre análise de mudanças climáticas citada no item1 deste artigo);
  • Comprometimento com a cultura de qualidade e comportamento ético
  • 5.1.1 Liderança e comprometimento/Generalidades
    • Inserção da letra i) “Promover cultura de qualidade e comportamento ético”, bem como adição da Nota 2 associada a este compromisso;
    • Inserção da letra k), ampliando a liderança e comprometimento da Alta Direção na prestação de contas/responsabilização pelo SGQ;
  • 7.3 Conscientização – incluída a letra e) para assegurar a conscientização sobre a “cultura organizacional de qualidade e comportamento ético”;
  • Separação de Riscos x Oportunidades (subitem 6.1.1)
    • Explicado no Anexo A.6.1.3 que sua determinação de riscos e oportunidades ocorre em processos separados
      • Introdução da “mentalidade de oportunidades” (anexo A.6.1.1.1):
        • 6.1.2 Ações para abordar riscos – já fazia parte dos requisitos da versão anterior da ISO 9001, mais robusta na versão 2026: antes “determinar”, agora “determinar, analisar e avaliar” riscos. Adicionada nova nota sobre a possibilidade e consideração de riscos relacionados à capacidade de prover produtos/serviços conformes diante de disrupções;
        • 6.1.3 Ações para abordar oportunidades – explicado no Anexo A.6.1.3 que as oportunidades não são necessariamente ações para reduzir riscos, e podem ser identificadas a partir de diversas fontes. O requisito é o mesmo do item 6.1.2, e agrega a Nota 2 da versão 2015 (com modificação em exemplos);
  • Reforço no requisito 6.3 Planejamento de mudanças
  • A letra c) “disponibilidade de recursos” foi ampliada para “disponibilidade de recursos e informações”;
    • Adicionadas as letras:
      • “e) como a eficácia das mudanças será monitorada e avaliada”;
      • “f) comunicação das mudanças”;
      • “g) como analisar criticamente os resultados das mudanças”;

7.1.6 Conhecimento organizacional – revisão no 2º parágrafo, com a mudança dos verbos “manter” para “reter”, “estar disponível” para “compartilhado”, e acrescentando-se o verbo “aplicar”: “Esse conhecimento deve ser retido, aplicado e compartilhado na extensão necessária”. Houve a eliminação da Nota 1 (explicações sobre conhecimento organizacional), e simplificação da Nota 2 (exemplos de fontes de conhecimento organizacional);

8.1 Planejamento e controle operacionais – texto sofreu revisões de formato e reordenação, mas mantendo os requisitos de modo geral. Houve melhoria no requisito sobre controle de processos terceirizados (parágrafo final), substituído por controle sobre os “processos, produtos ou serviços fornecidos externamente e que sejam relevantes para o sistema de gestão da qualidade”, alinhado ao Anexo SL da Diretiva ISO/IEC parte 1- Apêndice 2;

  • Requisitos para produtos e serviços
  • 8.1 Planejamento e controle operacionais – retirada a letra a) “determinar os requisitos para os produtos e serviços” (sem alteração de requisitos, pois já consta do subitem 8.2.2);
    • 8.2.1 Comunicação com o cliente – mudança (de requisitos específicos para informação) e ampliação (interrupções) da letra e) “informações relacionadas a ações de contingência, incluindo, quando relevantes, quaisquer interrupções nos produtos ou serviços fornecidos”. Inserida Nota sobre exemplos de meios de comunicação com clientes;
    • 8.2.4 Mudanças nos requisitos para produtos e serviços – inversão da ordem da frase, mudanças de “alerta” para “comunicação”, e de “pessoas pertinentes” para “partes interessadas pertinentes”;
  • 9.3.2 – Entradas de análise crítica pela Direção – simplificação da primeira linha. Inserida como entrada a letra c) “mudanças nas necessidades e expectativas das partes interessadas pertinentes que sejam pertinentes ao sistema de gestão da qualidade”, requisitada pelo Anexo SL da Diretiva ISO/IEC parte 1 – Apêndice 2;
  • Citação de informação documentada nos vários itens – como expresso no anexo A.2 letra e), todas as citações de informação documentada requisitada nos vários itens da Norma mudaram conforme a atualização do Anexo SL da Diretiva ISO/IEC parte 1 – Apêndice 2:
    • ao invés de “manter informação documentada” (para toda a documentação como procedimento, instrução de trabalho etc., exceto registros), foi adotada a expressão “estar disponível como informação documentada”;
    • ao invés de “reter informação documentada como evidência” (para registros), foi adotada a expressão “informação documentada deve estar disponível como evidência”;

Outros diversos itens receberam propostas de revisões menores para esclarecimento e alinhamento, mas sem mudanças significativas de requisitos, p.ex. ajuste de citações de “melhoria” para “melhoria contínua” nos subitens 5.1.1, 6.1.1 e 9.3.3;

Sobre a itemização dos itens da Norma:

  • não houve mudança nas numerações e títulos das seções (números 0 a 10)
    • quanto aos itens (4.1 a 10.3), houve a unificação entre 10.1 (Generalidades) e 10.3 (Melhoria contínua) – agora 10.1 Melhoria Contínua;
    • mudanças em subitens:
      • 6.1 – Os subitens 6.1.1 e 6.1.2 citados na ISO 9001:2015 somente no texto (não no sumário) foram formalizados como subitens com títulos, e houve a segregação entre riscos e oportunidades, levando a 3 subitens (6.1.1 – Determinando riscos e oportunidades, 6.1.2 – Ações para abordar riscos, 6.1.3 – Ações para abordar oportunidades);
      • 7.5.2 – O título do subitem foi ampliado, mas sem alteração de requisitos (Criando e atualizando informação documentada);
      • 9.2 – Os subitens 9.2.1 e 9.2.2 citados na ISO 9001:2015 somente no texto (não no sumário) foram formalizados como subitens com títulos (Generalidades e Programa de Auditoria Interna, respectivamente).
      • NOTA: foram mantidos outros subitens dentro do texto, sem citação no sumário e título (p.ex. 4.4.1 e 4.4.2, 5.2.1 e 5.2.2, 6.2.1 e 6.2.2);
      • 9.3.3 – Título mudado para “Resultados de análise crítica pela direção”;
    • Anexos
      • Anexo A – Incluído subitem A.1 Generalidades, e diversos outros subitens (ver comentário adiante específico sobre o Anexo A);
      • Foi removido o Anexo B

4. Mudanças em outras cláusulas entre o ISO/DIS 9001:2025 e a ISO 9001:2015

  • Seção 0 – as explicações relativas à mentalidade de risco foram migradas para o Anexo A, agora separando mentalidade de risco e mentalidade de oportunidade;
  • Seção 3 – Termos e definições – a versão 2015 da norma não incorporava definições em seu texto, citando a referência à ISO 9000 ao invés disso. Na proposta de atualização, a Norma traz 20 definições básicas (que estão contidas na ISO 9000 e Anexo SL da Diretiva ISO/IEC parte 1 – Apêndice 2), e faz referência à ISO 9000, plataforma de termos e definições da ISO e plataforma do IEC.
  • Anexo A – foi significativamente revisado e ampliado para abranger todos os subitens da norma (a versão 2015 não aborda todos). Incluído subitem A.1 Generalidades, explicando o objetivo do anexo A, explicitando também que não visa fornecer orientações sobre a implementação dos requisitos da ISO 9001, e esclarecendo que ele não modifica requisitos (4 a 10).

5. Conclusão

Deve ter ficado claro, diante das propostas de modificações apresentadas, que não houve mudanças drásticas nos requisitos da ISO 9001, mas sim ajustes no modelo e requisitos diante de documentos de referência e mudanças de contexto (p.ex. o cada vez mais crítico risco de mudanças climáticas), com propostas de revisões específicas pontuais identificadas através da pesquisa citada no item 1 deste artigo.

Vale especular que as sinalizações de alterações de alguns requisitos (p.ex. cultura de qualidade, comportamento ético e gestão de mudanças) devem se aprofundar em versões futuras, essenciais que são em um mundo VUCA/BANI.

Pela participação no processo de atualização, trarei mais informações na próxima etapa do documento!

Michel Epelbaum – Diretor da Ellux Consultoria

Diretor da Ellux Consultoria. Tem mais de 30 anos de experiência nacional e internacional em gestão de sustentabilidade, qualidade, meio ambiente, saúde ocupacional e segurança, e compliance.  É membro dos Comitês Técnicos da ABNT de Gestão Ambiental, Qualidade, Antissuborno, Riscos, Governança, Responsabilidade Social, Energia, Gestão Educacional e Cidades Sustentáveis. É Lead Assessor nas normas ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001, ISO 37301 e ISO 37001.

Consulte nossos serviços de Consultoria, Treinamento e Auditoria em Sistemas de Gestão nas Normas ISO 37301 , ISO 37001, ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001, PR 2030 e ISO 50001.

Saiba mais sobre este assunto em nossos posts relacionados:

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Análise Sistemática da ISO 9001: Precisamos mudar? https://elluxconsultoria.com.br/analise-sistematica-iso-9001/ https://elluxconsultoria.com.br/analise-sistematica-iso-9001/#respond Mon, 24 Aug 2020 17:15:14 +0000 https://elluxconsultoria.com.br/?p=5760 Pesquisa sobre necessidades de revisão da ISO 9001:2015, parte do processo rotineiro da ISO de análise sistemática de normas vigentes.

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Na semana passada recebi mensagem de um grupo de whatsapp a respeito da pesquisa sobre necessidades de revisão da ISO 9001:2015, parte do processo rotineiro da ISO de análise sistemática de normas vigentes.

Acessei o link , e preenchi o interessante questionário, que abrange desde o uso da versão atual, seus benefícios, até potenciais temas que poderiam ser objeto de melhorias da norma.

BENEFÍCIOS DA ISO 9001

O questionário solicita avaliar os seus benefícios, como:

  • Ajudar a atender à sustentabilidade empresarial.
  • Ajudar a atender às necessidades de mercado.
  • Facilitar a melhoria do nível de satisfação do cliente.
  • Prover vantagens competitivas.
  • Melhorar a cultura e interações organizacionais.

Em outra questão, é colocada ao participante a pergunta sobre quão adequadamente a ISO 9001 facilitou a abordagem de temas como:

  • Contexto e sustentabilidade da organização.
  • Gestão de processos.
  • Foco no cliente.
  • Prevenção de falhas.
  • Gestão de recursos.
  • Pensamento baseado em risco.
  • Gestão de fornecedores.
  • Gestão do conhecimento.

Perguntando de outra maneira, outra questão levanta os benefícios da aplicação dos requisitos da ISO 9001:2015, como:

  • Melhoria da comunicação com os clientes.
  • Melhoria da interação com outras partes interessadas.
  • Aumento do comprometimento da liderança.
  • Uso efetivo de dados como ferramenta de gestão empresarial.
  • Melhoria do desempenho e comunicação com provedores externos.
  • Melhoria do desempenho financeiro.
  • Melhoria da conscientização e engajamento do pessoal.
  • Gestão efetiva de riscos e oportunidades.
  • Aumento da melhoria contínua.

NECESSIDADES E OPORTUNIDADES DE REVISÃO

Em outra seção do questionário, são feitas perguntas sobre os grandes itens da norma, de 4 a 10, solicitando que fossem apontadas ambiguidades, omissões, redundâncias, benefícios que não superam os custos, falta de aplicabilidade à organização ou, como última resposta, a ausência de falhas e lacunas (sem dificuldades).

Por fim, a pergunta mais interessante se refere aos tópicos que poderiam ser abordados em uma eventual revisão da Norma. Esta pergunta sinaliza temas emergentes, onde a ISO 9001 não aborda suficientemente ou não endereça totalmente, e onde há oportunidades de avançar. Veja a lista:

  • Experiência do cliente.
  • Aspectos de pessoas.
  • Gestão da mudança.
  • Integração de diferentes disciplinas da gestão (p.ex. saúde e segurança, meio ambiente, tecnologia da informação, segurança patrimonial).
  • Gestão do conhecimento.
  • Tecnologias emergentes.
  • Ética e integridade.
  • Cultura organizacional.
  • Gestão de relacionamentos mutualmente benéficos.
  • Inovação.
  • Economia circular.
  • Agilidade.
  • Mudança demográfica.
  • Aspectos sobre informação.
  • Mudanças climáticas.
  • Planejamento de continuidade do negócio.

A pergunta também dá oportunidade para listar outros temas sugeridos para análise em eventual revisão da ISO 9001. Sugeri “aspectos financeiros”.

CONCLUSÃO

Este questionário nos faz pensar sobre os benefícios do Sistema de Gestão da Qualidade e sua certificação conforme a ISO 9001, sobre o que é crítico para a qualidade dos produtos e processos, e o que a gestão deveria abordar. Também nos remete à análise das megatendências e a um exercício de futurologia e de montagem do quebra-cabeças com os dados que vamos acessando e coletando, para preparar a trilha de aprendizagem para o nosso futuro comum.

Há grande espaço para evoluir com a melhoria contínua, com a experiência do cliente na jornada de compra. Com a sua satisfação. Com o desenho de produtos e serviços a partir da perspectiva do consumidor/cliente, que sejam mais amigáveis, simples e de melhor desempenho.

Verifica-se uma grande demanda para avançar em atributos dos processos e gestão para tornar a organização mais ágil, flexível, incorporando tecnologias emergentes e potencializando a gestão da inovação, a digitalização e automação efetiva, a gestão do conhecimento e o pensamento de startup.

Deveríamos avançar na liderança, cultura e gestão para tornar as organizações mais humanas, que aceitem os erros como aprendizado, que deem condições de crescimento pessoal aos colaboradores, aumentando o engajamento, atração e retenção de talentos e de jovens deste “admirável mundo novo” que se apresenta, mais diverso, multifacetado, conectado, com foco no agora.

Devemos caminhar também para integrar a gestão da qualidade a propósitos maiores da sociedade, atendendo a demandas de outras partes interessadas. Dentre estes temas, destaca-se a gestão ESG (“environmental, social and governance” – ver artigo anterior), representados no questionário de avaliação da ISO 9001 pelos aspectos de pessoas, ética e integridade, economia circular, mudança demográfica e mudanças climáticas, não esquecendo dos temas de governança organizacional.

O caminho para integrar a gestão da qualidade à gestão dos processos de negócios e às diferentes dimensões empresariais (tais como a segurança da informação, a proteção e privacidade de dados, a segurança empresarial, a gestão de ativos e riscos) pode e deve ser trilhado para aprimorar a visão sistêmica e melhorar a alocação de recursos, com ganhos de sinergia, produtividade e custos, além da redução de riscos.

As organizações poderiam avançar sobremaneira para serem mais resilientes diante de eventos fora de sua rotina operacional, como o planejamento de continuidade dos negócios/gestão de crises, como inquestionavelmente sinalizado pela pandemia do covid-19. Mas também diante de um mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo, através da melhoria da gestão da mudança.

Convido a todos a participar desta análise e da construção, junto com os elaboradores de normas, dos caminhos para a evolução da gestão da qualidade em direção ao desenvolvimento sustentável das organizações e da sociedade.

Michel Epelbaum – Diretor da Ellux Consultoria

Diretor da Ellux Consultoria. Tem mais de 25 anos de experiência nacional e internacional em gestão de sustentabilidade, qualidade, meio ambiente, saúde ocupacional e segurança, e compliance.  É membro dos Comitês Técnicos da ABNT de Gestão Ambiental, Antissuborno, Riscos, Governança, Responsabilidade Social e Energia. É Lead Assessor nas normas ISO 9001, ISO 14001, OHSAS 18001, ISO 45001, ISO 19600 e ISO 37001.

Consulte nossos serviços de Consultoria, Treinamento e Auditoria em Sistemas de Gestão, inclusive nas Normas  ISO 9001, ISO 31000, ISO 14001, ISO 37001, ISO 19600, ISO 45001, ISO 26000 e ISO 50001.

Saiba mais em nossos posts relacionados:

Órgãos fiscalizadores na Pandemia – decisões de interesse para as organizações

Coronavirus e Sistema de Gestão da Continuidade do Negócio

Adaptação das Auditorias de Certificação dos Sistemas de Gestão ISO à Pandemia

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Dia Mundial da Qualidade 2018 https://elluxconsultoria.com.br/dia-mundial-da-qualidade-2018/ https://elluxconsultoria.com.br/dia-mundial-da-qualidade-2018/#respond Tue, 13 Nov 2018 15:39:02 +0000 http://elluxconsultoria.com.br/?p=3821 Design by Freepik Todo ano, na segunda quinta-feira de novembro é comemorado em vários países o Dia Mundial da Qualidade, criado pela Organização das Nações Unidas em 1990, com o objetivo de debater a importância da qualidade dentro das empresas, conscientizar e incentivar as organizações a buscarem constante desenvolvimento. Na semana passada participei de eventos

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Todo ano, na segunda quinta-feira de novembro é comemorado em vários países o Dia Mundial da Qualidade, criado pela Organização das Nações Unidas em 1990, com o objetivo de debater a importância da qualidade dentro das empresas, conscientizar e incentivar as organizações a buscarem constante desenvolvimento.

Na semana passada participei de eventos e palestras em eventos relacionados ao Dia Mundial da Qualidade, como o “V SEMINÁRIO ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI – A Era da Transformação”, além de outros não relacionados, como a HSM EXPO 2018 e o lançamento do Instituto de Pesquisa do Risco Comportamental – IPRC.

Dentre os pontos discutidos, ressalto:

Mudanças Tecnológicas

(fonte: palestras dentro do V Seminário ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI – A Era da Transformação; palestra “Transformação digital na, com e para a educação” na HSM EXPO, de Sílvio Meira)

  • O avanço tecnológico representado pela Quarta Onda, Indústria 4.0 (Quarta Revolução Industrial) e outros associados, incluindo a inteligência artificial, Internet das Coisas e o Big Data;
  • A digitalização ora em andamento e suas consequências sobre a produtividade e a competitividade – ex: em 2017 as vendas online ultrapassaram pela primeira vez as vendas físicas nas lojas (Estados Unidos).

Transformação dos produtos em serviços

(fonte: palestras dentro do V Seminário ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI – A Era da Transformação)

  • “Todo produto é um serviço!!!” (citação de Theodore Levitt, 1961 – não existe dicotomia entre produtos e serviços, pois tudo é serviço).
  • “O futuro dos produtos são os serviços”.
  • “Toda empresa será tecnológica e de serviços, ou morre!”.
  • “O Futuro dos Serviços é a digitalização!”.

Organizações Exponenciais

(fonte: palestra HSM Expo – Transformações exponenciais: o paradigma da inovação em organizações que precisam adaptar sua liderança e cultura para o futuro – Francisco Milagres)

Como as organizações estão encarando o desafio tecnológico e as transformações exponenciais, demandando:

  • Propósito massivo transformador;
  • Inovação empoderada;
  • Modelos de negócios baseados em dados;
  • Encantamento do cliente.

Impactos na Sociedade e Ser Humano

  • Transformação dos empregos (fonte: palestra “Transformação digital na, com e para a educação” na HSM EXPO, de Sílvio Meira). Grande chance de eliminação de empregos como operadores de telemarketing e operadores de câmeras (vídeo, cinema, TV);
  • Novos hábitos (fonte: palestra “Transformação digital na, com e para a educação” na HSM EXPO, de Sílvio Meira) – grande aumento do tempo passado online (mais que dobrou desde 2008, sendo que o tempo no celular mais que decuplicou, da massa de mensagens e informações trocadas, e da velocidade da “vida online” – um exemplo: 58% das mensagens é respondida em menos de 1 minuto…; grande dispêndio de horas das crianças em jogos – uma criança passa mais horas jogando até os 15 anos do que a carga horária de um curso de engenharia civil do ITA…
  • Educação (fonte: palestra “Transformação digital na, com e para a educação” na HSM EXPO, de Sílvio Meira) – a necessidade de fazer evoluir o processo educacional (que ainda é reconhecidamente similar ao usado no século XIX, apesar de avanços em alguns locais e países).
  • Humanização da tecnologia e das empresas (fonte: palestras dentro do V Seminário ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI – A Era da Transformação) – a necessidade de humanizar a experiência no mundo digital. A inteligência pode ser em parte substituída, mas não a consciência humana.
  • Risco comportamental (fonte: lançamento do IPRC) – a demanda de considerar o comportamento humano e seus riscos, dado que é racional e emocional simultaneamente.

Com todas estas mudanças, a vida de cada um de nós vem se alterando dramaticamente, com grande aceleração, com mudanças na forma de pensar, raciocinar, tomar decisões e aprender.

Quanto ao meio empresarial, grandes transformações estão ocorrendo e são esperadas, cabendo aos gestores entender e liderar, alinhados a propósitos e valores compatíveis com os novos tempos.

A velocidade e a força das mudanças são desafiadoras e assustam… mas trazem sempre a oportunidade de criarmos uma sociedade e um futuro melhor com qualidade como elemento central.

Michel Epelbaum – Diretor da Ellux Consultoria

Consulte nossos serviços de Consultoria, Treinamento e Auditoria em Sistemas de Gestão, inclusive nas Normas  ISO 14001:2015, ISO 9001:2015, ISO 45001, ISO 50001, ISO 37001.

Saiba mais sobre este assunto em nossos posts relacionados:

Dia Mundial da Qualidade

Reflexões sobre a Implementação na Prática da ISO 9001 e 14001:2015 Parte 1

Reflexões sobre a Implementação na Prática da ISO 9001 E 14001:2015 Parte 2

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IATF 16949 (Norma de Qualidade Automotiva) também demanda Requisitos de Compliance! https://elluxconsultoria.com.br/normaiatf16949/ https://elluxconsultoria.com.br/normaiatf16949/#respond Tue, 22 Aug 2017 13:43:43 +0000 http://elluxconsultoria.com.br/?p=1704 Na esteira das revisões das normas de sistemas de gestão da ISO (p.ex. ISO 9001 e ISO 14001), as normas setoriais de qualidade acabam seguindo as tendências e nova estrutura definida no Anexo HLS  (High Level Structure) da ISO, bem como as demais mudanças desta norma da qualidade. Chamou-me a atenção a situação particular da

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Na esteira das revisões das normas de sistemas de gestão da ISO (p.ex. ISO 9001 e ISO 14001), as normas setoriais de qualidade acabam seguindo as tendências e nova estrutura definida no Anexo HLS  (High Level Structure) da ISO, bem como as demais mudanças desta norma da qualidade.

Chamou-me a atenção a situação particular da norma IATF 16949, que especifica requisitos de responsabilidade corporativa, além dos requisitos do sistema da qualidade para a concepção/desenvolvimento, produção, instalação e manutenção de todos os produtos automotivos.

Responsabilidade Corporativa

Como parte do item 5. Liderança, a Norma IATF 16949 introduziu um novo requisito chamado 5.1.1.1 Responsabilidade Corporativa, que exige:

“A organização deve definir e implementar políticas de responsabilidade corporativa, incluindo, no mínimo, uma política antissuborno, um código de conduta dos colaboradores e uma política de escalação sobre ética (“política de delação”).”

IATF 16949:2016

Esta norma foi publicada em outubro passado pela International Automotive Task Force (IATF), baseada na norma de gestão da qualidade ISO 9001:2015, substituindo progressivamente a ISO/TS 16949:2009 (Sistemas de Gestão da Qualidade – Particular Requisitos particulares para a aplicação da ISO 9001 para a produção automotiva e serviço pertinente) até 14/09/2018 (quando serão cancelados todos os certificados por esta norma ISO TS). Apesar de alinhada à ISO 9001, a nova Norma não está mais sob a guarda do sistema ISO, mas sim sob as definições do setor automobilístico, tendo mais autonomia para mudanças e ampliações de requisitos.

ISO/TS 16949:2009

 A ISO/TS 16949, por sua vez, foi desenvolvida pela mesma IATF e pela ISO, publicada inicialmente em 1999 (com revisões em 2002 e 2009), para estimular a melhoria da cadeia de suprimentos e do processo de certificação. Esta especificação se alinhou e suplantou as normas nacionais automotivas de sistema de qualidade (EUA, Alemanha, França e Itália) existentes, incluindo a QS-9000, VDA6.1, EAQF e a ASQ. Esta é uma norma muito relevante e popular no setor: a última estatística divulgada pela ISO (2015), mostra 62.944 certificados emitidos na norma ISO TS 16949. Na verdade, para a maior parte dos fabricantes automotivos líderes, a certificação para esta especificação é um requisito obrigatório para se fazer negócios.

A Norma contemplava a obrigação de cumprir os requisitos de clientes, regulatórios e estatutários, porém com a abrangência da qualidade (e pontualmente, as normas automotivas também abordam alguns aspectos específicos de segurança de pessoas e de meio ambiente/resíduos associados aos produtos).

Impactos dos Requisitos de Compliance e Antissuborno da IATF 16949:2016

O fato de uma norma de qualidade (particularmente esta do setor automotivo) incluir especificamente requisitos sobre Compliance e Antissuborno, mesmo que gerais e estratégicos, representa uma sinalização positiva sobre a importância do tema:

[wp-svg-icons icon=”hammer-2″ wrap=”i”] Ganham mais relevância na gestão estratégica das empresas que adotam estas normas (independentemente das mesmas já terem as práticas);

[wp-svg-icons icon=”hammer-2″ wrap=”i”] Passam a ser requisitos auditados periodicamente, tanto internamente como pelas entidades certificadoras;

[wp-svg-icons icon=”hammer-2″ wrap=”i”] As montadoras intencionam a sua implementação na cadeia automobilística como um todo (o que representa um amplo universo – estimado em quase 63 mil, somente tendo em vista os certificados atuais da ISO/TS 16949).

Esta abordagem pode ser adotada por outras normas setoriais ou multitemáticas.

São mais indícios do crescimento da importância da Gestão de Compliance e Antissuborno, junto com a ampliação da procura da certificação conforme as Normas ISO 19600 e ISO 37001. A ética, a integridade e os resultados empresariais agradecem!

Michel Epelbaum – diretor da Ellux Consultoria

Consulte nossos serviços de Consultoria, Treinamento e Auditoria em Sistemas de Gestão de Sustentabilidade/Compliance/Integridade, inclusive nas Normas ISO 14001:2015 – ambiental, ISO 50001 – energia, ISO 26000 – responsabilidade social, ISO 37001 – antissuborno e ISO 19600– compliance.

Saiba mais sobre este assunto em nossos posts relacionados:

MOVIMENTOS PARA CERTIFICAÇÃO ISO 19600 – COMPLIANCE E ISO 37001 – ANTISSUBORNO

RESPONSABILIDADE SOCIAL E INTEGRIDADE CADA VEZ MAIS REQUISITADOS!

IMPACTOS ECONÔMICOS: CORRUPÇÃO E AMEAÇAS AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE COMPLIANCE, CORRUPÇÃO E SEU COMBATE

A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DE RISCOS NOS SISTEMAS DE GESTÃO DE COMPLIANCE

NBR ISO 37001 (ANTISSUBORNO) E OS MOVIMENTOS PARA SUA CERTIFICAÇÃO

PRINCIPAIS DISTINÇÕES ENTRE COMPLIANCE – ISO 19600 E ANTISSUBORNO – ISO 37001

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Estatísticas de Certificações ISO em 2015 https://elluxconsultoria.com.br/estatisticas-de-certificacoes-iso-em-2015/ https://elluxconsultoria.com.br/estatisticas-de-certificacoes-iso-em-2015/#comments Tue, 18 Oct 2016 20:33:37 +0000 http://elluxconsultoria.com.br/?p=642 Segue resumo das estatísticas de certificações das principais normas de sistemas de gestão da ISO, divulgados em 2016, referentes aos dados de dez/15. (fonte: http://www.iso.org/iso/iso-survey). Neste site podem ser consultados os dados mais detalhados das certificações acumuladas e novas por ano, região, país e setor industrial. Principais Normas Número de certificados 2015 Número de certificados

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ISO – International Organization for Standardization

Segue resumo das estatísticas de certificações das principais normas de sistemas de gestão da ISO, divulgados em 2016, referentes aos dados de dez/15. (fonte: http://www.iso.org/iso/iso-survey). Neste site podem ser consultados os dados mais detalhados das certificações acumuladas e novas por ano, região, país e setor industrial.

Principais Normas Número de certificados 2015 Número de certificados 2014 Mudança (em números de certificados) Mudança (em %)
ISO 9001 1033936 (*) 1036321 – 2385 -0,2%
ISO 14001 319324 (**) 296736 22588 8%
ISO 50001 11985 6765 5220 77%

*ISO 9001:2008 (=1029746) + ISO 9001:2015 (=4190)

**ISO 14001:2004 (=318377) + ISO 14001:2015 (=947)

Vale comentar adicionalmente:

[wp-svg-icons icon=”pushpin” wrap=”b”] A China lidera as listas de maiores certificações ISO 9001 e 14001, enquanto que a Alemanha tem a grande maioria das certificações ISO 50001 no mundo.

[wp-svg-icons icon=”pushpin” wrap=”b”] A norma ISO 22301 para Gestão da Continuidade do Negócio teve o maior crescimento de todas as normas de gestão em 2015 (mais de 78%). A ISO atribui o forte crescimento desta certificação e da ISO 50001 à sua relativa novidade.

[wp-svg-icons icon=”pushpin” wrap=”b”] As certificações pela norma ISO/IEC 27001 (Gestão da Segurança da Informação) apresentaram um crescimento de 20%, enquanto que aquelas relativas à ISO 22000 (Gestão da Segurança Alimentar) cresceram 16% e pela ISO/TS 16949 (Gestão da Qualidade Automotiva) aumentaram em 9%.

Vale lembrar que já passou 1 ano da publicação da revisão 2015 das Normas ISO 9001 e ISO 14001, e o processo de transição da certificação para esta nova versão já está em andamento (com mais 2 anos de prazo).

Recomenda-se que as organizações certificadas na versão anterior tomem as seguintes ações:

  • Avaliar as lacunas a suprir para atender aos novos requisitos;
  • Desenvolver um plano de adequação;
  • Treinar e conscientizar adequadamente todos os envolvidos que impactam a eficácia do Sistema de Gestão da organização;
  • Reciclar/retreinar os auditores perante as mudanças de requisitos e abordagens da nova norma, particularmente quanto aos novos requisitos de contexto da organização, liderança e demais mudanças;
  • Atualizar o Sistema de Gestão para atender aos requisitos revisados;
  • Avaliar a eficácia do atendimento à nova norma em sua auditoria interna;
  • Completar o ciclo de mudanças com a análise crítica pela administração e as ações decorrentes de melhoria e corretivas.

Michel Epelbaum – diretor da Ellux Consultoria

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Mudanças nas Normas ISO 9001 e ISO 14001- Parte 3 – Riscos e Oportunidades https://elluxconsultoria.com.br/mudancas-nas-normas-iso-9001-e-iso-14001-parte-3-riscos-e-oportunidades/ https://elluxconsultoria.com.br/mudancas-nas-normas-iso-9001-e-iso-14001-parte-3-riscos-e-oportunidades/#comments Tue, 15 Mar 2016 17:44:57 +0000 http://elluxconsultoria.com.br/?p=209 Normas ISO 9001 e 14001 Neste terceiro texto sobre as mudanças das normas ISO 9001 e 14001, abordarei aquelas referentes à mentalidade de riscos e à identificação de riscos e oportunidades. A mentalidade de risco é uma abordagem que fazemos automaticamente e muitas vezes subconscientemente para obter o melhor resultado. O conceito de mentalidade de

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iso

Normas ISO 9001 e 14001

Neste terceiro texto sobre as mudanças das normas ISO 9001 e 14001, abordarei aquelas referentes à mentalidade de riscos e à identificação de riscos e oportunidades.

A mentalidade de risco é uma abordagem que fazemos automaticamente e muitas vezes subconscientemente para obter o melhor resultado. O conceito de mentalidade de risco estava implícito na ISO 9001, incluindo, por exemplo, ações preventivas para eliminar não conformidades potenciais. A revisão 2015 a explicitou e a incorporou ao sistema de gestão como um todo, assegurando que seja parte do planejamento estratégico e operacional, com benefícios como melhoria na tomada de decisões, na eficácia do sistema de gestão e desempenho, bem como da confiança e satisfação das partes interessadas.

Riscos e Oportunidades

A mentalidade de risco aplicada na ISO 9001 possibilitou alguma redução em requisitos prescritivos e sua substituição por requisitos baseados em desempenho. Há maior flexibilidade que a versão anterior nos requisitos para processos, informação documentada e responsabilidades organizacionais, substituindo ainda o requisito de ação preventiva.

Definições

A ISO 9000:2015 define risco como efeito da incerteza, com explicações adicionais:

  • um efeito é um desvio do esperado – positivo ou negativo. Mas a palavra risco é algumas vezes utilizada quando há somente a possibilidade de consequências negativas.
  • incerteza é o estado, ainda que parcial, de deficiência de informação, de compreensão ou de conhecimento relacionado a um evento, sua consequência ou probabilidade.
  • risco é frequentemente caracterizado pela referência a “eventos” potenciais e “consequências”, sendo expresso em termos de uma combinação de suas consequências e “probabilidade”.

Pensando no sistema da qualidade, oportunidades podem surgir como resultado de uma situação favorável ao alcance de um resultado pretendido, p.ex. um conjunto de circunstâncias que possibilite à organização atrair clientes, desenvolver novos produtos e serviços, reduzir desperdício ou melhorar produtividade, podendo levar à adoção de novas práticas, lançamento de novos produtos, abertura de novos mercados, abordagem de novos clientes, construção de parcerias, uso de novas tecnologias, etc. Ações para abordar oportunidades podem também incluir a consideração de riscos associados. Um desvio positivo proveniente de um risco pode oferecer uma oportunidade, mas nem todos os efeitos positivos de risco resultam em oportunidades.

A ISO 14001:2015, por sua vez, aborda os riscos e oportunidades de forma similar à ISO 9001 (não fala de uma mentalidade de riscos), porém ressalta o caráter negativo dos riscos e positivo das oportunidades, como a própria definição de riscos e oportunidades (exclusiva da ISO 14001): efeitos potenciais adversos (ameaças) e efeitos potenciais benéficos (oportunidades). Além disto, a cultura de riscos em meio ambiente é mais consolidada em torno dos conceitos e técnicas de análises de riscos.

Requisitos das Normas ISO 9001 e 14001

Para estar conforme com os requisitos destas normas, uma organização precisa planejar e implementar ações para abordar riscos e oportunidades, possibilitando o aumento da eficácia do sistema de gestão, melhoria de resultados e prevenção de efeitos negativos.

Os riscos e oportunidades são abordados nas normas ISO 9001 e 14001 em:
Introdução da ISO 9001 – conceito de mentalidade de risco

Item 4 da ISO 9001 – contém requisito para determinar os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade e sua aplicação na organização, que devem abordar os riscos e oportunidades conforme o item 6.1;

Item 5 – a alta direção deve, no caso da ISO 9001:
o promover o uso da abordagem de processo e da mentalidade de risco;
o determinar e abordar os riscos e oportunidades que possam afetar a conformidade de produtos e serviços e a capacidade de aumentar a satisfação do cliente;

Item 6 – nas duas normas, a organização deve:
o determinar riscos e oportunidades relacionadas ao desempenho do sistema de gestão (considerando o já definido no item 4; na ISO 14001 deve-se considerar ainda aqueles relacionados aos aspectos ambientais e requisitos legais e outros, bem como potenciais situações de emergência);
o planejar:
ações para abordar esses riscos e oportunidades (no caso da ISO 9001, são exemplificadas opções para abordar riscos: evitá-los, assumi-los, eliminar a sua fonte, mudar a sua probabilidade ou consequências, compartilhá-lo ou retê-lo);como integrar, implementar e avaliar a eficácia dessas ações nos processos do seu sistema de gestão;

Item 7 – requer a determinação e provisão de recursos para implementar as ações para abordar riscos e oportunidades;

Item 8 – requisita o planejamento e controle dos processos para tratar das ações identificadas no item 6. No caso da ISO 14001, isto inclui o cumprimento dos requisitos legais e outros, bem como controle sobre os aspectos e impactos ambientais;

Item 9 – requer o monitoramento, medição, análise e avaliação da eficácia das ações tomadas para abordar os riscos e oportunidades (explicitamente na ISO 9001 e mais indiretamente na ISO 14001), incluindo a sua abordagem na análise crítica pela direção;

Item 10 – requisita a correção, prevenção ou redução dos efeitos indesejáveis e a melhoria do sistema de gestão, e atualização dos riscos e oportunidades frente a
mudanças (explicitamente na ISO 9001 e mais indiretamente na ISO 14001).

Implementação

Apesar dos requisitos para abordar riscos e oportunidades disseminados pelas normas ISO 9001 e 14001, não há definição para métodos formais para gestão de riscos ou um processo de gestão de risco documentado. As organizações podem decidir desenvolver ou não uma metodologia de gestão de risco mais extensiva/formal que o requerido por esta Norma, por exemplo, através da aplicação de outras diretrizes.

A mais reconhecida norma internacional para avaliação de riscos é a ISO 31000 (Gestão de riscos: Princípios e diretrizes) e seus desdobramentos, como a ISO TR 31004 (Gestão de riscos – Guia para implementação da ABNT NBR ISO 31000) e a ISO/IEC 31010 (Gestão de riscos – Técnicas para avaliação de riscos, com cerca de 30 opções de técnicas, desde as mais simples até as mais complexas).

Independentemente da necessidade de adoção integral, vale entender a abordagem e avaliar o uso parcial. Outras ferramentas podem também ser empregadas, como matriz SWOT (Forças, fraqueza, oportunidades e ameaças).

O processo deve ser adequado às características da organização, e a decisão sobre o grau de formalidade e informação documentada deve ser por ela decidida, principalmente no caso da ISO 9001.

A ISO 14001 é mais rigorosa neste ponto, pois os riscos e oportunidades também têm como fonte os aspectos ambientais (que envolve um processo de avaliação de riscos, no mínimo as potenciais situações de emergência) e requisitos legais/outros.

Ela define que deve ser mantida informação documentada de seus riscos e oportunidades que precisam ser abordados, e dos processos necessários em 6.1.1 a 6.1.4, na extensão necessária para ter confiança de que eles sejam realizados conforme planejado.

Do ponto de vista do auditor, ele deve verificar a implementação da mentalidade de risco (ISO 9001) e os resultados das etapas do PDCA relativo aos riscos e oportunidades, devendo estar aberto ao processo adotado pela organização bem como às técnicas e informação documentada mantidas/retidas.

Quer saber mais?

Mudanças nas Normas Parte 1

Mudanças nas Normas Parte 2

Michel Epelbaum – diretor da Ellux Consultoria

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Dia Mundial da Qualidade https://elluxconsultoria.com.br/dia-mundial-da-qualidade/ https://elluxconsultoria.com.br/dia-mundial-da-qualidade/#comments Fri, 13 Nov 2015 14:04:11 +0000 http://elluxconsultoria.com.br/?p=175 Parabéns a todos nós, profissionais que atuamos na área de Qualidade. Neste dia 12/11/15, se comemora o Dia Mundial da Qualidade, instituído pela ONU na segunda quinta feira de novembro de cada ano. Assisti ontem, via internet, ao excelente II SEMINÁRIO ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI – A Qualidade e a Realidade Nacional, promovido pela ABQ

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Parabéns a todos nós, profissionais que atuamos na área de Qualidade. Neste dia 12/11/15, se comemora o Dia Mundial da Qualidade, instituído pela ONU na segunda quinta feira de novembro de cada ano.

Assisti ontem, via internet, ao excelente II SEMINÁRIO ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI – A Qualidade e a Realidade Nacional, promovido pela ABQ (Academia Brasileira da Qualidade), organização não governamental, sem fins lucrativos e destinada a defender a Qualidade e Excelência na Gestão, que congrega os principais expoentes da Qualidade dos mais diversos setores econômicos nos âmbitos: público, privado e acadêmico. O Seminário foi realizado em ambiente presencial na FIESP, com convidados da ABQ, e pela internet para mais de 700 espectadores. Temas estrategicamente selecionados sobre cenários e previsões para o Brasil enfrentar os desafios da competitividade global foram apresentados por palestrantes Acadêmicos da ABQ e expoentes como Jorge Gerdau Johannpeter, Jairo Martins da Silva, Luiz Carlos do Nascimento, José Joaquim do Amaral Ferreira e Vicente Falconi.


Michel Epelbaum – diretor da Ellux Consultoria

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