DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE E AS COPAS “SUSTENTÁVEIS” DO BRASIL

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE E AS COPAS “SUSTENTÁVEIS” DO BRASIL- Maio 2013

Artigo publicado na Revista “O Setor Elétrico” – Maio de 2013 – Ano 8 – Edição 88.

Nesta coluna o autor relata os pontos positivos na construção sustentável dos estádios brasileiros para o Mundial.

Depois de muitas dúvidas, questionamentos e críticas, os times entrarão em campo neste mês de junho na Copa das Confederações, grande preparação para a Copa do Mundo.

Críticas quanto ao amplo número de sedes, alguns “elefantes brancos” e gastos excessivos. Questionamentos quanto à capacidade de gestão dos projetos/obras e seus prazos, financiamento público de estádios privados, “cartolagem” e “politicagem” em meio à operação abafa-corrupção da FIFA que já abateu presidentes de confederações importantes. Grandes dúvidas quanto ao legado pós-eventos, e os erros de projeto/construção que geram riscos de segurança (p.ex. Engenhão).

Isto posto, e assumida a realidade dos projetos com todos os seus questionamentos, podemos dizer que temos o que comemorar no Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), no que tange à sustentabilidade dos estádios, particularmente no que tange à construção sustentável.

A responsabilidade social corporativa e a inserção de critérios de sustentabilidade nas Copas do Mundo se iniciaram em 2005 na FIFA, e atualmente seguem os sete temas centrais da Norma ISO 26000, referência internacional em responsabilidade social (e sustentabilidade), já discutidos em colunas anteriores.

Alguns dos principais requisitos acordados com o Brasil são comentados a seguir:

  • Certificação verde para os estádios – o Brasil adotou a certificação de construção sustentável LEED, da GBC – Green Building Council, de modo geral na categoria básica, porém alguns buscaram categorias superiores (p.ex. Platina – Mané Garrincha; Prata – Mineirão e Arena Pernambuco);
  • Uso de energias de baixa emissão de CO2, dispositivos eficientes, automação e consumo consciente – de modo geral, os estádios foram projetados e estão sendo instalados com iluminação LED (p.ex. Arena Pantanal, Arena da Baixada, Maracanã, Mineirão). Alguns deles têm autossuficiência energética, com instalação de painéis solares fotovoltaicos (p.ex. Maracanã, Mineirão, Fonte Nova, Mané Garrincha e Arena Pernambuco);
  • Inventário de CO2 e compensação destas emissões nas obras e eventos, por enquanto com pequena divulgação de dados;
  • Programa de manejo de resíduos das obras, com reaproveitamento de resíduos de construção civil, coleta seletiva, etc;
  • Uso eficiente de água, com aproveitamento de água de chuva, instalação de dispositvos econômicos, alguns deles com reuso de esgoto (p.ex. Arena Pernambuco);
  • Uso de materiais com menor impacto – em vários estádios houve reaproveitamento de estruturas existentes e de materiais de demolição da edificação anterior (p.ex. Beira Rio, Castelão, Arena da Baixada, Arena Amazônia, Maracanã, Mané Garrincha, Mineirão, Fonte Nova); uso de materiais de baixa emissão de orgânicos voláteis (p.ex. colas, selantes, tintas e revestimentos); seleção de materiais de cobertura com menor impacto;
  • Ações de gestão, educação, compras sustentáveis na cadeia de fornecimento, e uma intenção de integração do programa ambiental com as operações dos clubes regionais (a conferir);
  • Conservação e proteção da biodiversidade regional (principalmente nos novos estádios);
  • Apoio a projetos que combinem futebol e desenvolvimento social.

Ainda há que se melhorar nas soluções de mobilidade urbana, uma vez que diversos projetos foram cortados ou adiados, e os eventos-teste têm demonstrado resultados insatisfatórios, com trânsito ruim na chegada e saída dos jogos, e demora no acesso aos estádios. Também há que se verificar a efetividade da expectativa de geração de empregos de longo prazo – segundo estimativas do Ministério dos Esportes, a Copa do Mundo irá gerar 710 mil empregos, (330 mil permanentes).

A FIFA e o COL produzirão um relatório de sustentabilidade abrangente, de acordo com o modelo internacional mais aceito, o GRI, expressando prováveis avanços, mas já se pode inferir que representam novos patamares para a construção e eventos no país, e oportunidades para o setor elétrico!

E dentro das quatro linhas, o Brasil vai “fazer bonito”?       A conferir….

Autor: Michel Epelbaum

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