DESAFIOS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA ISO 50001

DESAFIOS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA ISO 50001- Julho 2013

Artigo publicado na Revista “O Setor Elétrico” – Julho de 2013 – Ano 8 – Edição 90. Nesta coluna o autor faz uma reflexão sobre os desafios da implementação da ISO 50001.

Autor: Michel Epelbaum

Nos dias 02 e 03 de julho foi realizada a 10ª. Edição do Congresso Brasileiro de Eficiência Energética – COBEE. A abertura foi feita pelo jornalista e apresentador da Globo News, André Trigueiro, com o tema: “O Brasil Eficiente e Sustentável”. Ele chamou a atenção para o estímulo que a redução de emissões representa para a melhoria da eficiência energética, mencionando a nova legislação mais restritiva para poluição do ar na China, e o novo plano dos EUA para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O plano americano cria padrões mais restritivos para novas usinas de eletricidade até set/13, e para usinas em operação até jun/2014, com as metas:

  • reduzir em 17% as emissões de CO2 até 2020, e em 3 bilhões de toneladas até 2030;
  • aumentar o investimento em energias renováveis, e aumento de 20% na eficiência energética em edifícios.

Ao final do primeiro dia foi realizado painel de debates sobre os desafios da implementação da ISO 50001 (tema desta coluna), do qual participei, e passo aqui a minha percepção:

– a norma ISO 50001 ainda carece de divulgação no Brasil, mesmo 2 anos após sua aprovação;

– há uma rejeição contra o modelo baseado na ISO 9001, que afeta a adoção da ISO 50001. Pesa contra ele o grau de rigidez introduzido por sua primeira versão (1987), reduzido na versão 2000. Por outro lado, ele conta mais de 1,1 milhão de certificações ISO 9001 e mais de 267 mil certificados ISO 14001 no mundo (ISO, 2011), representando avanço inegável da gestão, e a padronização da linguagem.

O representante da Eletrobras no debate (membro da comissão ABNT sobre gestão de energia) mencionou a existência de cerca de 2000 certificações ISO 50001 no mundo, sendo cerca de 1700 delas na Alemanha. Dois fatores que podem ajudar a explicar o “boom” de certificações na Alemanha são:

  1. legislação estimuladora – meta de redução do consumo de energia em 20% até 2020 e em 50% até 2050 (base:2008); adoção de legislação integrada entre energia e clima, e sobre fontes renováveis. É previsto subsídio parcial de custos para indústrias de uso intensivo de energia e ferrovias, mediante a certificação pela norma européia de sistema de gestão ambiental e ISO 14001 ou pela ISO 50001 (e pela equivalente europeia – EN 16001).
  2. grande conhecimento e implementação de sistemas de gestão baseados no modelo ISO, o que torna a adoção da ISO 50001 bastante facilitada, pelos elementos comuns. Os dados do início de 2012 apontam mais de 60 mil organizações certificadas ISO 9001 e mais de 6 mil na ISO 14001 no país (fonte: relatório “Energy Management Systems in Practice”, do Ministério Alemão do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear, jun/12).

No Brasil, por outro lado, em meio a 28325 certificações ISO 9001 e 3517 certificações ISO 14001 (fonte: ISO, 2011), temos somente 5 empresas certificadas na ISO 50001. Apesar do PNEf – Plano Nacional de Eficiência Energética adotar a ISO 50001 como referência e de prever ações de estímulo à sua adoção, na prática ainda não vingou.

Creio que a ampliação do uso da ISO 50001 no Brasil passa por:

  • Se tornar conhecida e referência para planos, programas e critérios de sustentabilidade;
  • Ter estímulos para sua adoção (p.ex. legislação, compras públicas sustentáveis, BNDES), como visto na Alemanha;
  • Ter seu valor percebido pelas organizações – pesquisa global sobre as 3 razões principais do interesse das organizações pela Eficiência Energética (fonte: DNV, 2009) mostrou: a mais citada é a redução/controle de custos (80%), a segunda é a proteção do clima do planeta (35%) e a terceira foi a melhoria da reputação da empresa entre os clientes (28%).

Avaliei algumas declarações de resultados da certificação ISO 50001 de empresas da Ásia, Europa e Brasil, e alguns pontos ajudam na percepção de seu valor:

  • Redução significativa de consumo de energia
  • Redução significativa de emissões de gases de efeito estufa
  • Ascensão da gestão de energia a um nível estratégico, e a incorporação ao dia a dia do negócio, deixando de ser baseada em projetos isolados.
  • Várias delas eram certificadas na ISO 9001/14001/EN 16001, o que facilitou a implementação da ISO 50001.

E a sua organização, está tratando a gestão de energia como um assunto estratégico, no dia-a-dia do negócio, e de forma sistematizada?

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