TEMAS “QUENTES” DE ENERGIA SUSTENTÁVEL NOS EVENTOS EM 2012

TEMAS “QUENTES” DE ENERGIA SUSTENTÁVEL NOS EVENTOS EM 2012 – Dezembro 2012

Artigo publicado na Revista “O Setor Elétrico” – Dezembro de 2012 – Ano 7 – Edição 83.

Nesta Coluna, o autor compartilha algumas percepções dos eventos ocorridos em 2012 com foco nos temas ligados à sustentabilidade no setor eletroeletrônico.

Nestes últimos meses participei de um congresso de gestão (com palestras sobre sustentabilidade), uma grande feira de meio ambiente (considerada a maior da América Latina, com representantes de 16 países) e dois seminários setorizados sobre sustentabilidade e energia, e gostaria de compartilhar algumas percepções sobre alguns temas ligados à sustentabilidade no setor eletroeletrônico:

  1. Coleta, separação e destinação de resíduos eletro-eletrônicos – assunto já regulamentado e implementado em muitos países, no Brasil ganhou força com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal 12.035/2010) e a obrigação da adoção da logística reversa para fabricantes e distribuidores de vários produtos – voltarei a este tema em outras colunas para detalhar a legislação específica e o acordo setorial em discussão com o setor eletroeletrônico. Um dos temas prioritários da feira que visitei foi a aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Observei 6 empresas estrangeiras (além de algumas nacionais) oferecendo tecnologias, equipamentos e serviços para esta necessidade, das quais 5 são estreantes no Brasil. Em seminário com exposição anexa de tecnologia, equipamentos e  serviços, 3 empresas ofereciam seus produtos e serviços ligados ao tema, das quais 2 brasileiras (sendo que uma delas já atuava na área de resíduos de pilhas e baterias, e ampliou sua atuação para outros resíduos eletroeletrônicos);

 

  1. Valorização de resíduos através da transformação em energia, biodiesel ou matéria-prima – no seminário do setor eletroeletrônico, assisti a uma apresentação de empresa brasileira que pesquisou processos para transformação de biomassa e resíduos em outros produtos durante vários anos, desenvolvendo diversas patentes, passando à escala de operação no final da década de 2000. Ela transforma pneus, lixo e outros resíduos em negro de fumo, óleos combustíveis, carvão vegetal, energia elétrica e outros produtos. Na feira ambiental conversei com representantes de uma empresa espanhola e uma italiana, estreantes no Brasil, oferecendo equipamentos e serviços para a transformação de resíduos em produtos, com tecnologias com alguma similaridade com a empresa brasileira da palestra. Esta tendência de fechamento dos ciclos de vida de produtos/materiais e energia é crítica para a sustentabilidade, “do berço ao berço”, buscando redução de impactos dos resíduos e redução de uso de novas fontes de materiais e energia;

 

  1. Energia solar térmica e fotovoltaica – o assunto é antigo, porém as novidades se referem à sua maior disseminação e perspectivas futuras de crescimento, considerando ainda o Programa “Energia sustentável para todos” das Nações Unidas. Uma das apresentações a que assisti no congresso de gestão foi a do professor da Universidade de Cornell e consultor ambiental americano Stuart Hart, estudioso internacionalmente reconhecido das relações entre tecnologia e meio ambiente. Segundo sua visão, muitos recursos têm sido investidos para o desenvolvimento de tecnologias limpas, porém este esforço inovador resulta em ganhos poucos efetivos, pois os produtos e serviços criados são pensados apenas para a elite da população, e com foco na viabilidade econômica, quase nunca factível aos mais pobres. Contrariamente, ele defende a introdução de eco-tecnologias disruptivas, distribuídas, de pequena escala, no próprio local de consumo, intensiva em força de trabalho, com baixa emissão de carbono, a partir das classes mais pobres – base da pirâmide social. Ele estuda e presta consultoria em países emergentes, como China e Índia, e exemplifica sua teoria com a empresa chinesa Tsinghua Solar, que conseguiu sucesso no mercado chinês ao comercializar milhões de aquecedores solares residenciais para a população mais pobre do interior, após desistir de oferecê-los para a população mais rica. Tipo similar de tecnologia foi oferecida por empresa italiana estreante no Brasil, na feira ambiental que visitei, com preços de coletores térmicos individuais bastante competitivos para os consumidores de baixa renda. Em outro artigo de 2005, falando sobre o programa Ecomagination da GE para criação de produtos inovadores com diferencial ecológico, Hart avaliou 21 novos produtos desenvolvidos, sendo que somente 5 deles foram considerados disruptivos, dentre eles os sistemas elétricos solares residenciais.

 

Nos seminários do setor eletroeletrônico e de energia, as perspectivas relacionadas à energia solar fotovoltaica foram consideradas positivas, tanto as apresentadas pelas associações de classe, como por fabricantes e pela universidade, considerando o potencial brasileiro, o barateamento do processo de produção em vários países, e os altos preços das tarifas de energia elétrica no Brasil, particularmente para residências, que já viabilizam hoje esta fonte em algumas distribuidoras. Os preços estão se aproximando dos obtidos para a energia eólica, e podem competir em leilões de energia nos próximos anos. Na feira ambiental, estiveram presentes pelo menos 4 fabricantes/distribuidores europeus de energia solar fotovoltaica, estreantes no Brasil, sendo que 1 deles ofereceu sistemas compactos individuais;

 

  1. Bicicletas elétricas – Hart também citou no congresso de gestão o exemplo da empresa chinesa Xinri, líder na produção de bicicletas elétricas. Com políticas específicas de incentivo às bicicletas e com a maioria da população sem condições de comprar um carro, em 2008 as vendas da China representavam cerca de 90% das 23 milhões de unidades vendidas no mundo (em 2009 possuia 100 milhões de e-bikes, contra 25 milhões de carros). A feira ambiental que visitei incluiu uma pista de test-drive para bicicletas elétricas e outros veículos movidos à energia limpa, procurando mostrar a eficiência e funcionalidade desses mecanismos para contribuir na redução da emissão de CO2.

Os eventos mostraram que os ventos parecem ser favoráveis ao desenvolvimento de tecnologias que rompem barreiras e paradigmas, e que contribuam fortemente para o desenvolvimento sustentável com a redução dos impactos ambientais e sociais. BOAS NOTÍCIAS PARA O FINAL DE ANO!!

UM FELIZ ANO NOVO A TODOS OS LEITORES, COM MUITA, MUITA ENERGIA EM 2013!!

Autor: Michel Epelbaum

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